18 setembro 2017

E vós?

Eu tendo a ser bastante tolerante quando leio maus posts de bloggers que aprecio.

(embora aconteça ter vontade de pegar nas bizarrias que escrevem)

(e que bons posts haviam de me render, caramba...)


16 setembro 2017

Às onze da noite de um sábado ninguém nos ouve, Ruben Patrick

O problema, Ruben Patrick, é que nisto dos blogs não somos só os bonecos, somos nós e as nossas circunstâncias, e nós somos os que dormimos mal a pensar num não-problema,o atraso da saída do avião, o hálito a gin da noite passada, o concerto do Bowie em Alvalade, a nota de cem escudos encontrada na rua no dia em que fizemos dez anos, o bingo do Belenenses, as mamas da Cicciolina no parlamento, o bêbado na estação de Paris Montparnasse, os seis a três que levámos do Benfica, o dinheiro contado, a primeira vez que conduzimos um carro, a humilhação em Complementos de Matemática, Barenboim no Scala, o peso a mais, o cão que morreu, os achaques dos nossos pais, o esquecermo-nos de uma data importante, o cheiro peixe assado que se tornou insuportável, a falta do menisco, o fim de semana de sonho que afinal não, o comentário ao lado, o mail da leitora que acha que aquilo foi para ela, a gentileza da outra que se encantou com um pormenor do que escrevemos, o  mau dia daquela outra que também não é só um boneco, é ela e as suas circunstâncias.

14 setembro 2017

E o Tony Carreira dos blogs, quem é?

Dizei-me cá...

Já há trânsito na segunda circular

Acabo de chegar ao preciso momento em que todos os sítios da viagem grande me aparecem difusos, seria Lescun antes ou depois de Saint Engrâce? e a pedra em forma de cabeça de gente, em que parte do caminho apareceu? e o albergue com a melhor vista, era em que aldeia? e onde ficava exactamente a estação de esqui que parecia um sítio-fantasma? as gárgulas que me impressionaram estavam na catedral de Burgos ou na de Salamanca? o restaurante do sítio onde chovia muito foi mais para o fim ou foi no princípio do percurso? o episódio das mulheres que corriam enquanto atendiam às mesas  foi em Saint Jean de Pied de Port? o burro atolado na lama que ajudei a libertar precisou mesmo que lhe descarregasse os alforges ou não? o sítio onde disse todos os palavrões que sei porque ainda faltava meia hora de caminho e eu a pensar que era já ali, foi em Iraty ou no Logibar? havia mesmo uma porta que podia servir de ponto de fuga no sítio onde os velhotes cantavam os "Clavelitos" ou foi só a minha imaginação? os tipos que sabiam do percurso na Sicília eram canadianos ou australianos?, e quando chego a este momento de recordações difusas é porque já estou outra vez em modo vida real.

O estranho caso do homem que bordava o nome completo no interior de um casaco barato (epílogo, creio)


... Capitã Cuca, que desafiou Palmier, que desafiou NM, que desafiou Flor (nove em dez), que desafiou. Xilre, que desafiou Manel Mau-Tempo, que, ou muito me engano, não desafiará ninguém e vai deixar a nossa Mirone sem acesso ao segredo.

13 setembro 2017

Ando aqui meio consumido...

... sem saber odiarei com todas as minhas forças Horst Ripper, o alemão que abateu o avião de Saint-Exupéry, ou se lhe comprarei o livro que vai sair por altura do Natal.

12 setembro 2017

Estou aqui a pensar

A minha vida parece um jogo do Sporting.

11 setembro 2017

O estranho caso do homem que bordava o nome completo no interior de um casaco barato

Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas era um homem de gostos simples, amigo do seu amigo, ninguém tinha nada a apontar-lhe, não fosse ter que assinar com o nome todo os documentos que o chefe de repartição lhe estendia, e só em despachos a dizer "solicita-se autorização superior" era um ror de papéis, e podia dizer-se que era um homem sem preocupações, casa-emprego, emprego-casa, fato cinzento escuro, sapato a condizer com o cinto, tomava o pequeno-almoço em casa, uma torrada e café com boa cevada, nada de marcas brancas, aos domingos tomava café e um pastel de nata para o lado dos Jerónimos, uma vida descansada, só lamentava não se chamar Ivo Sá quando tinha que assinar com o nome todo os tais documentos lá na repartição.

Ninguém diria que Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas guardava um segredo, um magnífico e tremendo segredo, passado de boca em boca por façanhudas gerações de Cunhas Lencastres, Silvas de Almeida Gonçalves e até mesmo de Azeredos Mascaranhas, embora estes últimos fossem de mais recato, pouco dados a segredos magníficos passados de boca em boca, dizia-se mesmo que a costela  Azeredomascarenhística de Porfírio Manuel era a mais vincada na sua personalidade, era deste lado da família que lhe vinha o traço distintivo de pessoal menor de uma repartição, o jeito para cofiar o queixo e dizer com ar grave "isto vai ser o cabo dos trabalhos para resolver, acabou ontem o prazo, já era um prolongamento, está a ver a dificuldade...", o segredo de Porfírio Manuel da Cunha Lencastre e Silva de Almeida Gonçalves Azeredo Mascaranhas era tenebroso e magnífico ao mesmo tempo, só do conhecimento de um grupo de estudiosos do tema, o único sinal de que se pertencia à tribo dos conhecedores era ter o nome completo bordado no interior de um casaco barato.

Qual seria a explicação? Que segredo era este?

(inspirado numa pertinente dúvida de Mirone, passo a continuação da história à Capitã Cuca, que nos dirá quem continuará, que por sua vez continuará e nos dirá quem continuará, que por sua vez continuará e nos dirá quem continuará, que por sua vez continuará e nos dirá quem continuará, enfim, creio que está explicada a dinâmica da coisa)

Capitã Cuca, que desafiou Palmier, que desafiou NM, que desafiou Flor (nove em dez), que desafiou. Xilre, que desafiou Manel Mau-Tempo, que, ou muito me engano, não desafiará ninguém e vai deixar a nossa Mirone sem acesso ao segredo.

Das iniciais do nome de um cavalheiro bordadas no bolso interior de um casaco barato

Era um segredo bem guardado, transmitido verbalmente de geração em geração, o velho pai, antevendo estar para breve o momento de partir, convocava o filho varão e, sussurrante e ciente de estar a transmitir material sagrado, convocando as suas últimas forças, explicava ao filho, também ele consciente da grandeza do momento, num misto de amargura pela partida daquele que foi o seu exemplo de vida, mas impante de orgulho por finalmente passar a ser conhecedor de um segredo bem guardado pelos anciãos, disponível apenas aos mais capazes, aos melhores entre os melhores, o velho pai, dizia eu, transmitia ao filho varão o segredo das iniciais do nome de um cavalheiro bordadas no bolso interior de um casaco barato, era um enigma bem guardado até ao nefasto momento em que a simpática e sempre atenta Mirone trouxe à colação a temática, podereis apreciar e acompanhar o a obra escrita de Mirone no blog Mirone, num registo leve e cheio de graça partilha com o seu público a história de um descuidado seu amigo que permitiu o vislumbre das iniciais no interior do seu casaco, um lapso indesculpável, expor assim tamanho segredo, e logo num fato para quem tem poucas posses, e logo Mirone se questionou sobre a utilidade das tais iniciais, ainda se fosse num casaco para quem tem mais de seu ainda se compreendia, e Mirone tomou a única decisão acertada, Mirone foi sábia e fez o que apenas os mais iluminados conseguem fazer, Mirone invocou Tio Pipoco e solicitou os seus préstimos para o cabal esclarecimento da dúvida, e Pipoco sabe, Pipoco é conhecedor do segredo ancestral, transmitido pelos mais velhos, Pipoco domina os meandros do assunto, Pipoco sabe do que se trata, Pipoco pode esclarecer e esclarecerá.

A seu tempo.



06 setembro 2017

Uma coisa nova por dia

Posts variados e simultâneos, só para ver qual é o que ganha.

Mais ou menos isto

Oitenta anos de blogs depois, quase concluo que o único propósito deste blog, para além de me manter entretido, é jogar ao gato e ao rato comigo próprio.

Porque escolhi ser viajante em vez de turista?

Porque sendo viajante não receio sentar-me à conversa com gente que não conheço, em abrigos de montanha com mesas compridas de madeira tosca onde uma sopa e um prato com presunto e queijo são a melhor iguaria que pode existir, viajando sei onde está o melhor teatro amador de Salamanca e quem tem as melhores bicicletas da cidade, que só saem da loja depois de me serem contadas as mais  bonitas histórias de sítios mágicos que ninguém conhece, incluindo onde se servem as tapas de crista de galo que já sei que não comerei, viajando apanho boleia em pás de tractor em dias de muita chuva com homens sábios que me ensinam mais sobre os bascos franceses que aquilo que me contarão dez museus, viajando sei que basta afastar-me duas ruas do circuito principal e logo os pintxos serão melhores por menos dinheiro, viajando posso escolher acabar o GR10 onde começa El Camiño e apreciar como são distintas as duas tribos que se encontram em Saint Jean de Pied de Port, viajando sei que, na montanha, para chegar a um ponto a menos de cem quilómetros é necessário apanhar três comboios, um autocarro e uma boleia, sei que é preciso ter calma para o ritmo das pessoas da montanha, que não servem uma cerveja fresca sem saberem de onde venho e para onde vou e me darem a provar dois tipos de queijo das suas ovelhas, um prensado e outro não, sei quem ganhou o prémio das melhores tapas de Burgos, aprendo que afinal ainda não sabia tudo sobre Hitchcock, sei que posso nadar em Biarritz e em San Sebastian na mesma manhã e que as pessoas das praias de San Sebastian se deitam viradas para o sol em vez de se deitarem perpendiculares ao mar, como as de Biarritz, sei que os comprimidos para purificar água do rio deixam a água com sabor de água da piscina mas ainda assim mais vale não arriscar, sei com o que se parece uma pista de esqui em plano Agosto, sei que aquilo do "tourist go home" não foi escrito para mim.

Fazendo de conta que mudámos de tema

Não sei nem quero aprender a passar a ferro mas sei cozinhar a melhor massada de peixe da cidade, posso cuidar de crianças pequenas durante semanas inteiras mas fujo de consertar canalizações de água, li Paul Auster e aquela autora italiana que tinha uma amiga e agora não me lembro o nome mas nunca li Ian Fleming, sei de jardinagem mas nunca conduzi um camião TIR, tenho um pólo cor de rosa que uso quase nunca e vários pólos pretos que uso quase sempre, já vi um concerto de Tony Carreira e quase vi outro de Bublé mas nunca vi Iron Maiden nem Mettalica, não reparto contas de restaurantes quando almoço com uma mulher mas aceito que uma mulher pague a conta quando me convida para almoçar, já chorei a ouvir música mas nunca chorei quando perdi pessoas importantes, nunca comprei revistas de telenovelas mas também nunca comprei revistas com mulheres nas páginas centrais, nunca aprendi a fazer crochet mas também nunca apred a jogar petanca basca, mudo de canal quando estão a dar ginástica sincronizada mas também mudo quando estão a dar halterofilismo, prefiro um concerto de boa música num dia de frio e chuva a ir a Alvalade ver o jogo com o Tirsense.

E está tudo muito bem.

04 setembro 2017

À atenção das capazes (3)

Na Feira da Ladra ainda se vendem livros de "Os Cinco" onde o Júlio e o David montam a tenda e vão à frente em caso de perigo e a Ana e a Zé limpam a tenda e cozinham.

Resumindo a situação dos livros para meninas e para meninos

Primeiro vieram as figuras do labirinto fácil para as meninas e o difícil para os meninos e não pudemos deixar de nos arreliar com a situação, não se tolera uma coisa assim, e vieram os especialistas em coisas da educação mais os das coisas da igualdade e nós achámos muito bem que se batesse nos senhores que fizeram o livro, alguns de nós até chegaram ao ponto de concordar com as Capazes, por uma vez elas estavam certas.

Depois veio aquele rapaz que fala de coisas sérias com muita piada a contar-nos que tinha feito uma coisa que ainda ninguém se tinha lembrado de fazer, que foi comprar os livros para se aborrecer com mais labirintos, só aquele que foi publicado não lhe chegava para se amofinar em condições, mas afinal havia labirintos mais fáceis para meninas e labirintos mais fáceis para meninos, parece que dependia da vontade das ilustradores, e nós achámos que fazia muito sentido aquela bizarria de ver para além daquilo que as malvadas das manipuladoras da Capazes nos queriam mostrar, nem nos lembrámos de pensar que já nos tínhamos colocado do lado da barricada dos que achavam muito bem que o livro fosse retirado do mercado, afinal não faz diferença nenhuma, e achar que retirar livros do mercado é censura e nós somos pela liberdade.

Nunca me orgulhei tanto de ter aprendido a pensar com a minha cabeça.

03 setembro 2017

À atenção das Capazes (2)

A Vanessa Fernandes ganhou o Ironman.

02 setembro 2017

À atenção das Capazes

O anúncio da Mercedes que vem no Expresso de hoje diz "Beleza e inteligência, por fim juntas".

Fica a dica.

01 setembro 2017

Em verdade vos digo

Todos os maus blogs se parecem entre si; os bons são bons cada um à sua maneira.

Minhas senhoras, agora a sério...

Conseguiam mesmo resolver aquele puzzle labirinto do livro para os meninos?...