26 maio 2017

Hoje...

...tentaram explicar-me como se pode ter saudades do que não se teve.

Não percebi nada da explicação.

Olá bom dia, sou o Pipoco Mais Salgado e venho contar-vos coisas da minha vida

Descobri que se pode ficar com fama de corajoso se fugirmos na direcção do inimigo.

Fui ao MAAT. A único quadro que percebi em condições foi o que explicava a saída de emergência.

Há uma gelataria nova no início da Rua da Misericórdia. O dono explicou-me que dá aulas na faculdade de medicina mas, com os cinquenta anos, decidiu ter uma gelataria. Fiquei a matutar que volta darei eu à minha vida quando chegar aos cinquenta anos, para além de comprar em Porsche descapotável como todos os homens de cinquenta anos. Os gelados são bons, principalmente o de caramelo salgado.

Fui jantar ao Eduardo dos Petiscos, a pensar que aquilo era uma espécie de Eduardo das Conquilhas, onde já fui feliz. Não era, nem sequer havia conquilhas. É uma bela merda, o Eduardo dos Petiscos.

Fui ao Sushi Café Avenida, mas com calças de ganga, t-shirt e barba de três dias. O serviço foi dez vezes pior e vinte vezes mais demorado do que das vezes que lá vou com o meu fato às riscas.

Agora vou correr, não tarda está a chover.

25 maio 2017

Resumindo

Ninguém me consegue explicar a diferença entre alfazema e lavanda.

Dá-me um gozo imenso ver o meu cão entrar no rio e depois arquear o corpo e secar-se.

Ainda não é este ano que vou ao Algarve em Agosto.

A laranjeira morreu, parece-me.

Tenho andorinhas no telheiro. Três ninhos.

A passarada faz demasiado barulho de manhã.

Não desgosto de gin português.

O meu momento Melania Trump

O atendimento foi péssimo, a comida era má e no fim o Chef veio à mesa e tentou falar comigo.

23 maio 2017

Dois posts em dez minutos, só por causa das coisas

O meu primeiro Bond, James Bond, foi Sir Roger Moore, talvez tivesse sido em For Your Eyes Only ou A View to a Kill, por causa da música dos Duran Duran, havia de me interessar definitivamente por Bond, James Bond em Live and let Die, os Wings a terem uma música feliz, o Barão Samedi, a cena do funeral, nem mesmo Sean Connery, o primeiro Bond, James Bond me fez mudar de ideias quanto ao Bond perfeito, e agora, se me permitem, vou acabar o dia com um Porto branco a fazer de Martini e  Miles Davis escutado de olhos fechados a fazer de conta que estou a ver The man with the golden gun.

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Talvez esta coisa de segurar a porta até que uma mulher entre, olhá-la nos olhos mesmo quando o decote é generoso, ouvi-la com atenção ainda que nos fale de coisas menores, seja coisa fora de moda, talvez falar de livros e de vinhos, de filmes e de lugares esteja em desuso, mas, Ruben Patrick, saber que existe um filme em que alguém grava um qualquer a meter uma mão por dentro das calças de uma mulher, em público, saber que há quem se ri, quem incentive, que não há quem sugira parar, quem não há quem se insurja, faz-me descrer na evolução do género, tal é a vergonha alheia.

18 maio 2017

Apontamento da uma da tarde

Com dez anos de atraso estou a ler o último volume da saga Millennium, aquilo do Stieg Larsson, não vos admireis, também estou a meio da segunda temporada dos Sopranos, há coisas em que a minha vida corre devagar, mas o que eu queria na verdade dizer é que as quase duzentas páginas que já levo da descrição da estadia da Salander no hospital fazem-me lembrar a descrição da casa do Ramalhete e as primeiras cinquenta páginas de "os Maias".

16 maio 2017

Mas ainda ninguém leu o discurso do homem, pois não?

Fosse eu candidato a não sei quê e havia de convidar o Gonçalo da Câmara Pereira para me fazer o elogio, havia de dizer de mim que sim senhores, o Doutor Pipoco sabe bem que para se trabalhar, a coisa carece de camisa de manga curta com bolso e botões no colarinho e, se necessário, conjugar com umas boas calças de fato de treino, aqui temos um cavalheiro que provou, como a maioria dos Portugueses, que é capaz de ser amigo do seu amigo mas que ninguém lhe faz o ninho atrás da orelha, aqui temos Doutor Pipoco que é ternurento com os filhos ao ponto de não lhes negar um afago na fronte quando chega a casa e eles já dormem, interessando-se amiúde por perguntar ao varão como vão as coisas no que concerne a raparigas e vigiando o facebook da mais nova, não lhe vá aparecer algum preto desses das falinhas mansas, aqui está um cavalheiro que sabe dar uma palmada no rabo da esposa ao mesmo tempo que pergunta o que é o comer, que pede cerveja fresca para não perder um segundo da Benfica TV e nem sequer se exalta se tiver que pedir segunda vez, que não descura as suas obrigações quando a estagiária nova lhe pergunta onde fica o arquivo da cave.

E fumava-se charuto na varanda da Quinta do Vesúvio

Passar umas horas no Comboio Presidencial, a maioria delas à conversa, enquanto me explicavam os vinhos que acompanhariam a cozinha do tipo do Feitoria, foie-gras que parece uma cereja e melão que sabe a laranja, o costume destas coisas, os nossos olhos a dizer uma coisa e o palato a dizer outra, felizmente que o vinho não sabia a outra coisa qualquer, mas, dizia eu, passar umas horas no Comboio Presidencial, encheu-me de nostalgia, o chef a explicar-me coisas importantes sobre o prato e eu a pensar em sandes de atum no Sud-Express, o sommelier a ensinar-me a arte dos blends de vinhos do Porto e eu a recordar cerveja fresca num comboio a caminho da Grécia, um mês de comboio, sete anos seguidos, a rota a depender de quem encontrava a bordo, o programa a mudar todos os dias, a liberdade de escolher se ficava um dia ou uma semana numa aldeia suiça, acordar e não saber onde iria dormir, enfim, a magia de ser um viajante, e a nostalgia que se me entranhou cérebro acima, será que ainda existe Inter-Rail?

13 maio 2017

Se calhar era hoje

A julgar pelo número de mensagens que tenho no telefone, se calhar era hoje o jogo daquilo lá do Benfica.

12 maio 2017

Palavra do senhor

Não me impressionam os peregrinos que passam duas noites à chuva, embrulhados em plásticos , gelados,e que ainda assim dizem para quem os quiser ouvir que nada lhes custa, que lá à frente, daqui a dois dias, haverá um bem maior, ver de perto a Senhora e Francisco tudo compensará, sei do que falam, também eu calcei botas de esqui e o dia estava de tempestade, também eu acordei de madrugada para escalar, também eu fui a Alvalade em dia de chuva e sem a certeza de um final feliz.

11 maio 2017

Isto é mais ou menos como ponderarmos ir buscar o Fábio Coentrão

Conduzo com perícia e saber o meu potente - porém discreto - veículo alemão, observando os peregrinos a caminho de Fátima, eles e os seus coletes reflectores e os seus paus de eucalipto que os ajudam na caminhada, falando ao telefone para que o caminho não seja muito diferente de todos os outros dias, habituei-me a respeitar essa fé tamanha que os impede de notar a feiura das estradas nacionais ou os camiões que lhes passam rente mas não me consigo abstrair de lhes olhar para os pés, a peça mais crítica para que a caminhada lhes seja leve, entristeço-me com a dor adicional que os peregrinos infligem a si próprios com as bizarras opções de calçado, quase me comovo com o sofrimento extra que aceitam para si só por não terem dedicado tempo à escolha do calçado certo, que os desfocariam das dores nos pés e lhes possibilitariam dedicar-se em plenitude às coisas do Altíssimo.

09 maio 2017

E se fossem vocês a decidir?... (*)

Na semana passada, cofiava eu a barba e perscrutava o horizonte, olhando com sobriedade e capacidade analítica o mundo que me rodeava, incluindo um gin tónico posicionado exactamente no limiar do meu campo de visão, e surgem-me o Belchyor de Menezzes, folgazão, rejubilando por me ver ali disponível, e o Burnay de Sottomayor, irrepreensível no seu fato completo Duque de Windsor, desafiando-me o Belchyor de Menezzes a embarcar amanhã no The Presidential Train, uma coisa que envolve o Chef Pedro Lemos e mais não sei quê de prova de vinhos, passando por degustar uns acepipes na Quinta do Vesúvio, desafiando-me o Burnay de Sottomayor a proferir amanhã uma palestra motivacional sobre temas que domino absolutamente, sendo os destinatários jovens a quem a vida ainda não sorriu mas que estão dispostos a seguir o caminho do bem e, pelo menos, a tentar sair do turbilhão de situações de má índole em que estão metidos.

Estou aqui meio indeciso, que me aconselhais?...

(*) Baseado nesta bonita e edificante história da nossa Palmier Encoberto


Treze de Maio

O Benfica campeão, Fátima e o festival da canção.

Uma maçada.

05 maio 2017

Os problemas das mulheres

Darem demasiada importância a tudo quanto os homens lhes dizem.

03 maio 2017

Baleia Azul

Naquele tempo, a Baleia Azul chamava-se Eugénia, podia ser apenas a Baleia mas aconteceu que um dia, era dia de concerto do Jorge Palma, apareceu vestida com um casaco azul cintilante e a coisa deu-se, podia ser pior, parecendo que não, as baleias-azuis são balenopterídeos, uma família que inclui as baleias-jubarte, as baleias-comuns, as baleias-de-bryde, as baleias-sei e as baleias-de-minke, acredita-se que a família Balaenopteridae tenha divergido das outras famílias da subordem Mysticeti durante a metade do Oligoceno, não me perguntem porque é que eu retenho tanta informação, sim é isso, não vale a pena irdes verificar, é mesmo daí, no fim do concerto fomos aos bolos da Praça do Chile e a Baleia Azul aviou-se com uma dose de bolas com creme que dava para catorze, era bolas com creme e garrafas de Sagres média, naquele tempo as minis era só para os velhotes da província, afinal uns homens adiantados no seu tempo, acompanhavam a degustação de minis Cergal com um Kentucky ao canto da boca, os Kentucky eram os Mata-Ratos, mais ou menos a mesma coisa que a Eugénia ser a Baleia Azul, era das mulheres mais fascinantes que conheci, ela falava e nós ouvíamos tudo o que nos tinha para dizer até ao fim, a última vez que vi a Baleia Azul estava ela enfiada num vestido desses italianos, sem vestígios de Baleia Azul, deu-me dois beijinhos e estendeu-me um cartão que dizia que ela mandava mais do que eu.

Vim aqui só dizer coisas, que isto eu tenho andado muito ocupado, sabeis lá...

As pessoas dos blogues, em estando uns dias a fazer as coisas lá da vida delas e não tendo grande incentivo para vir contar-nos como tem sido, sentem sempre a necessidade de vir cá dizer-nos que têm estado muito ocupadas, de maneiras que, infelizmente, as pessoas compreendam, tem sido uma lufa-lufa lá pelo serviço, não têm sido possível passar por cá, mas sempre vão dizendo que isto e aquilo e agora adeus, têm que ir para outra vez para dentro, há muita papelada acumulada, sabeis lá, tantos feriados pagam-se.

As pessoas dos blogues acham que a gente se importa.

25 abril 2017

Escrevesse eu uma carta ao tipo que faz o Pipoco

Vai ver isso do joelho, come mais fruta, lê o Ulisses de uma vez por todas, chega mais cedo a casa,  ouve Bach pelo menos uma vez por semana, bebe menos café, come mais vezes por dia, marca dois dias de férias só contigo, não queiras resolver tudo, não rias das coisas sérias, rega as árvores, fala pelo menos duas vezes por semana com os teus pais, vai mais a Alvalade, corre atrás só daquilo que vale a pena.

24 abril 2017

Se Deus existisse, que havíamos de querer que Ele nos explicasse?

(para além de como se interpreta em condições as mulheres, está claro...)