16 outubro 2017

E tu?

Não há coisa mais deliciosamente potente que o deslumbre que sinto quando tenho diante de mim uma coisa realmente nova pela primeira vez.

(a viagem de avião para Dublin, a história do homem a quem parece que aconteceu não sei quê, La Fura dels Baus na Expo, o Sony CM-DX 1000, a televisão a cores na antiga FIL, o teleférico de Kandersteg, o beijo na gruta do Portinho da Arrábida, Saramago, a Borreguilles I, Live-Aid em directo, a bicicleta da Sobrinca sem rodinhas, o meu primeiro post que faz agora doze anos e me fez pensar nestas coisas)

15 outubro 2017

Ontem à noite

O tipo gritou lá do fundo do balcão do pub e quando eu olhei vi que o tipo era parecido com a voz que tinha, cabelo rapado e músculos de ginásio, não sei se é da minha imaginação, talvez seja, mas pareceu-me ver uma dessas tatuagens tribais que não querem dizer coisa nenhuma, a boca tinha aquela expressão do Chepe Santacruz sentado na cadeira do cabeleireiro a aviar os dominicanos.

Pediu um Bailey's.

12 outubro 2017

Anunciai a boa nova

De entre todos os meus rituais, uns mais excêntricos que outros, o que me vem de tempos mais recuados é a leitura de, pelo menos, um par de obras do Nobel da Literatura do ano, e com isto descobri Szymbrorska, Jelinek e Transtromer, para os esquecer quase de imediato, não precisei de reler Saramago nem Dario Fo nem Vargas Llosa, falhei Dylan propositadamente, que isto dos rituais sagrados também tem as suas excepções e, era isto que vos queria dizer, desde Pamuk não me deslumbrava tanto com um Nobel da Literatura como me está a deslumbrar este Ishiguro que estava a ganhar pó num canto escondido da minha estante, restando-me penitenciar-me pelo muito tempo que demorei a dar-lhe uma oportunidade.

11 outubro 2017

A problemática do lugar 3C

O lugar 3C é o pior dos lugares onde se pode viajar num voo de médio curso, ali estamos nós e os nossos raviolli de salmão selvagem com carpaccio de veado fumado, tudo acompanhado por um bom vinho tinto, depois de termos repetido o espumante servido à temperatura certa, e o passageiro do lugar 4D implorando em vão e pela terceira vez um copo de água sem gás, espreitando pela frincha da cortina que nos separa, a nós quase nos apetecendo estender-lhe discretamente o pãozinho de sementes de papoila que não nos faz falta, ele arregalando muito os olhos ao vislumbrar o nosso estalar de dedos, chamando a atenção da assistente de bordo para o facto de a quantidade de vinho tinto no nosso copo estar abaixo do aceitável, requerendo acção urgente ao nível de verter mais uns centilitros, o do lugar 4D simulando uma necessidade urgente de visitar os lavabos, nós pressentindo que a motivação é apenas aspirar o ar que se respira nas primeiras três filas, observar como nos assentam bem os guardanapos imaculadamente brancos, abotoados no primeiro botão da nossa camisa também branca, o nó de gravata aligeirado, enfim, uma maçada, uma verdadeira maçada viajar no lugar 3C.

Pipoco em modo catalão (II)

No entanto, com todo o sentido de responsabilidade, não desejando contribuir para uma rebelião na  blogosfera com consequências imprevisíveis para o bem estar dos leitores em geral, a deliberação emanada do post anterior fica suspensa até que todas as Partes sejam ouvidas, avaliando-se os efeitos nefastos para a sociedade, medindo-se convenientemente o nível da depressão associada, aquilatando-se convenientemente e com sentido de estado a hecatombe generalizada que o fim de Pipoco Mais Salgado produziria numa sociedade que se pretende mais junta, mais solidária e mais progressiva.

Pipoco em modo catalão (I)

Declaro que este blog termina aqui.

05 outubro 2017

Escolhi aleatoriamente, nem sei porquê


Post bastante fofinho mas com final que nem por isso

Nestes dias de Lost in Funchal notei os simpáticos casais de idosos, eles de calção caqui e sandálias com meias, elas com óculos de sol fora de moda, cumprimentam-me no elevador com um sorridente g'morning, havemos de nos voltar a cruzar ao pequeno almoço, espanto-me sempre com as quantidades industriais de comida que transportam, sei que nos cruzaremos de novo na recepção, eles explicando detalhadamente à recepcionista o quanto estão a gostar da ilha, aproveitando para contar toda a sua vida enquanto eu aguardo com paciência e faço sinal à recepcionista do que pretendo e ela, continuando a falar com os simpáticos idosos , me estende um novo cartão que substitui o que perdi sei lá onde, piscando-me o olho, gosto de os ver assim, cúmplices, afinal é uma vida inteira juntos, amparando-se na velhice, ele trazendo-lhe mais um donut que ela, sentada, olhos azuis fixados no mar, agradece carinhosamente, enterneço-me com a gentileza com que se amparam a subir os poucos degraus, é delicioso vê-los tranquilos, envelhecendo juntos, partilhando os prazeres de uma velhice feliz e sossegada.

É uma pena que se empurrem de propósito nos caminhos das levadas, só para receberem o dinheiro do seguro de vida do parceiro...

Há sempre uma jumpseat salvadora que nos tira da ilha


De como Pipoco junta os dois últimos posts e faz um post novo

A meditação faz-me aceitar o que não posso mudar e usufruir do momento, aceitar que uma estadia de pouco mais de seis horas na ilha se possa transformar numa estadia de cinco dias e quatro noites, aceitar que a bagagem de mão que era inicialmente um portátil e um livro inclua agora escova de dentes e roupa interior nova, mais duas camisas e um par de calças e uns ténis, tudo acondicionado numa mala novinha em folha, aceitar que as reuniões de Lisboa sejam agora sessões de trabalho com o mar em fundo, uma Coral na mão, os óculos de sol como melhores amigos, aceitar que a quarta-feira em Madrid seja afinal no Caniçal, aceitar que o Funchal está com sol e sem uma brisa e que no aeroporto, a menos de quinze quilómetros, o vento seja fortíssimo, aceitar que os aviões das low-cost aterrem e que levem os seus Clientes (parece que são passageiros, mas não, são Clientes) de barco para Porto Santo e os aviões da TAP sejam cancelados logo na origem (e sendo cancelados logo em Lisboa e no Porto não apanham as janelas de oportunidade no Funchal), é aceitar que o fim de semana prolongado em Londres seja afinal outra coisa qualquer, é aceitar que a Madeira nestes dias é uma espécie de Coreia do Norte, de onde não se sai nem se entra, é aceitar que não há Funchal-Faro ou Funchal-Porto ou Funchal-Manchester, ou Funchal-Sidney que me valha.

(filhos da puta, que servicinho de merda proporcionam aos Clientes, que desprezo pelas pessoas, esquecendo que estas pessoas pensarão dez vezes antes de voar de novo na TAP, que estas pessoas dirão a centenas de pessoas, potenciais visitantes da Madeira, que não venham, que escolham antes as Canárias ou outra coisa qualquer, que aqui nunca se sabe)

03 outubro 2017

Uma coisa nova por dia

Não saber quando consigo sair do Funchal.

02 outubro 2017

Mindfulness

Eu, Pipoco Mais Salgado, doze anos de prática de mindfulness, naquele tempo chamava-se "atenção plena", em verdade vos digo que a coisa não é mais do usufruir o que se está a fazer, aproveitar a boa comida sem a fotografar, ir a um concerto sem o gravar, jantar com amigos e não ter o telefone por perto, ir para casa sem pensar no mail que ainda vai chegar, tudo coisas simples, a coisa não é mais do que isto. E é tanto.

01 outubro 2017

Pipoco comenta as eleições (VII)

Jerónimo de Sousa diz que o povo que varreu o seu partido das Câmaras lhes vai sentir a falta. E acusou a rapaziada de terem muito simpáticos para ele, mas não votaram. Malandrecos.

Afinal o Robles está feliz. E com os dois botões da camisa desapertados.

O Valentim Loureiro acabou de vez.

O Rui Moreira fez um discurso de ressabiado. Quando se ganha não se pode ser ressabiado. Nem quando se perde.

O António Costa só falou de pois de acabar o jogo do Benfica. Está aborrecido.

A Ana Catarina Mendes não lê o Pipoco. Continua com o tal colar inenarrável.

Pipoco comenta as eleições (VI)

E o Ricardo Robles, minhas senhoras?

(deve estar tristinho...)

Pipoco comenta as eleições (V)

Quem deixou a Ana Catarina Mendes aparecer com aquele colar étnico?

Pipoco comenta as eleições (IV)

O Isaltino ganhar aquilo em Oeiras define-nos muito enquanto país.

Pipoco comenta as eleições (III)

As projecções indicam que, ainda assim, há oito por cento de lisboetas que votaram na Teresa Leal Coelho. Acho que nem a própria esperava tanto.